Carência x Autonutrição

Carência x Autonutrição

Sentir-se carente é algo que acontece com todos os seres humanos. A carência afetiva pode ser mais ou menos intensa, pode durar um período curto ou longo e algumas pessoas vivem no estado de carência uma vida inteira.

O que ocorre na maior parte das vezes é que não fomos treinados para suprir nossas próprias carências, às vezes acreditamos que precisamos dos outros para supri-las. Imaginamos que esse suprimento afetivo só pode ocorrer se estivermos com um parceiro ou parceira. Não é à toa que existe muita gente que “não consegue ficar sozinha”.

Temos várias fontes de afeto que não reconhecemos como tal porque nossa cultura praticamente exige que estejamos namorando ou casados, como se isso fosse garantia de plenitude afetiva. Não é!

Com essa crença (limitante) ficamos menos seletivos, acabamos por entrar às cegas em relacionamentos que se transformam em sofrimentos e problemas assim que a fase do encantamento inicial passa, a fase da sedução.

Nos vemos envolvidos com pessoas difíceis, ciumentas, exigentes, exploradoras, insensíveis, desrespeitosas, com uma personalidade muito distante daquilo que pretendíamos ter ao nosso lado.

E por medo da solidão, na ilusão de que estar com alguém nos salvará da carência, não nos damos conta de que continuamos esvaziados de afeto, mendigando amor e atenção e por isso aceitando relacionamentos abusivos e desequilibrados.

OLHE AO REDOR

Quando você se sentir carente, volte seu olhar para os outros setores de sua vida e perceba o quanto está perdendo em qualidade de vida afetiva quando acredita que só pode ser suprida através do relacionamento a dois.

Preste atenção em:

Sua família – seus pais, por mais que vocês tenham problemas de convivência, eles demonstram amar você das mais variadas formas: fazendo aquela comida gostosa, cuidando da organização e sustento da casa, se interessando por seu bem estar.

Abra seu coração para esse carinho silencioso, saiba receber e retribuir. Reconheça o afeto contido nas pequenas atitudes.

Seus filhos– pequenos ainda, ou adolescentes e mesmo já adultos, demonstram seu carinho com uma brincadeira, dividindo um segredo, partilhando uma alegria, demonstrando confiança.

Seus amigos – o convite para uma festa, a declaração de amizade, o ombro oferecido desinteressadamente ou a busca de seu ombro amigo para confiar seus problemas.

Seus colegas de trabalho ou de colégio/faculdade – a ajuda prestada numa matéria ou a orientação sobre as diretrizes da empresa são atitudes generosas, o convite para o almoço ou para a balada demonstrando que sua presença é querida.

APRENDA A NUTRIR A SI MESMO

Se você aprende a reconhecer nos pequenos gestos uma atitude afetiva, você passa a se sentir muito mais nutrido e feliz. Mas tão importante quanto sentir-se nutrido por colegas, amigos, familiares e filhos, é aprender a nutrir a si mesmo.

Valorize suas qualidades e aprenda a reconhecer as coisas legais que você faz, a pessoa bacana que você é!

Aprenda a dar a você mesmo pequenos presentes, desde uma xícara gostosa de café até uma merecida viagem de férias. Mas faça isso com consciência, sem ligar o “piloto automático”. Enquanto estiver preparando seu café, curta esse momento, perceba que você pode se afagar ao curtir o prazer de se deitar em lençóis cheirosos e macios, ou quando for preparar uma pipoca para assistir àquele filme que você quer ver.

Os pares que escolhemos para compartilhar a vida a dois estarão muito mais próximos de ser afetivamente positivos, quando somos movidos pelo desejo de estarmos juntos, ao invés de estarmos movidos pelas carências.

Quando estamos pacificados e somos capazes de suprir-nos de diversas formas, estamos também mais alertas, conseguimos detectar melhor se a pessoa com quem estamos nos envolvendo tem as qualidades que desejamos e merecemos.

É muito importante estar “antenado”, ligado em você mesmo e reconhecer a quantidade de afeto que já está disponível para você no seu dia-a-dia.

E antes de sair desenfreadamente buscando do lado de fora coisas e pessoas para preencher os vazios do seu coração, faça por você mesmo o que gostaria que alguém fizesse. Ou seja, cuide-se. Respeite-se.  Ame-se!

Seja sua melhor companhia.

                                                                                             Dirceia – 30/09/2020

Sobre Dirceia

Dirceia tem 63 anos, vive me Belo Horizonte, autodidata desde os anos 90, gosta de ler, escrever, conversar. Seu objetivo é trabalhar em prol do crescimento pessoal e das pessoas em seu entorno. Estuda, técnicas e ferramentas dentro da conscienciologia, do autoconhecimento, e nas dinâmica das relações, incluindo as diversas formas de funcionarmos no dia-a-dia.

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